Leituras, informações e curiosidades voltadas aos estudantes do curso de Ciência Política (Jornalismo) da Faculdade Cásper Líbero.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Slides da aula de 24-26/2
A aula de hoje, aqui, é uma reflexão introdutória sobre instituições, que nos oferece um arsenal teórico para entender o funcionamento do capitalismo. Nossa formulação inicial de regras de jogo e racionalidade serve de fio condutor de muito do material que veremos neste bimestre.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Leituras obrigatórias para 2 e 4 de março
As leituras obrigatórias para 2-4 de março são:
-- a seção "Burgueses e proletários", de Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels; e
-- o capítulo "Capitalismo, uma definição", de Capitalismo, uma introdução (título provisório), de João Alexandre Peschanski e Daniel Bin. Disponível para download aqui.
A edição sugerida do Manifesto Comunista é a da Boitempo Editorial, organizada por Osvaldo Coggiola e traduzida por Álvaro Pina, originalmente publicada em 1998, com várias reimpressões. O livro pode ser adquirido aqui. O Manifesto Comunista é um livro clássico, de fundamental importância na tradição intelectual ocidental, e recomendo a compra da edição da Boitempo Editorial por ser uma versão cuidadosa e trazer textos de apoio úteis. Nessa edição, a seção "Burgueses e proletários" vai da página 40 à 51. Vale notar que leremos boa parte dessa obra.
Para aqueles que preferirem não comprar o livro, há várias versões on-line em português, cuja qualidade não é garantida. Abaixo, três dessas versões.
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf
http://www.pstu.org.br/sites/default/files/biblioteca/marx_engels_manifesto.pdf
http://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/
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| Capa do Manifesto Comunista, de 1848. Fonte: Wikimedia Commons. |
Abaixo, uma leitura complementar, para quem quiser se aprofundar sobre o Manifesto Comunista.
José Paulo Netto, "Elementos para uma leitura crítica do Manifesto Comunista", em Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto Comunista, São Paulo, Cortez Editora, 1998. Disponível aqui.
José Paulo Netto é um dos principais estudiosos da tradição marxista no Brasil e apresenta na primeira parte desse ensaio o contexto histórico e político da redação do Manifesto Comunista. Marx e Engels escreveram esse documento como programa político da Liga dos Comunistas, originalmente publicado em 1848, quando eclode a Primavera dos Povos, um importante conjunto de manifestações operárias e urbanas que assolou a Europa por vários meses. O restante do ensaio apresenta principalmente as contribuições filosóficas e o arsenal teórico do Manifesto Comunista e, até pela temática abordada, é uma leitura difícil. O fim do ensaio discute o Manifesto sob um olhar contemporâneo, que, entre outros apontamentos, avalia o legado do texto clássico na situação atual do mundo do trabalho e da globalização.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Texto de interesse sobre método científico, na Folha
O texto abaixo, publicado no caderno "Ilustríssima" da Folha, de 14/2, apresenta de maneira clara alguns aspectos centrais do olhar científico que deve ser aplicado à política. Aliás, o texto é sobre política econômica, a interface entre ciência política e econômica, mas está bem alinhado ao mote metodológico que nos norteará. Espero que interesse.
ilustríssima
Método, e não retórica, deve reinar na economia
CARLOS EDUARDO GONÇALVES
MARCOS DE BARROS LISBOA
14/02/2016
RESUMO Uma vez que a economia ajuda nas escolhas feitas para a implementação de políticas públicas, cabe a ela usar dos procedimentos da ciência para ajudar a garantir a efetividade das propostas. Método, argumentos precisos e bases de dados acessíveis permitem a revisão crítica de acadêmicos e a verificação.
*
Economia não é literatura, em que boas histórias são suficientes. Ciência requer método: argumentos precisos que possam ser contrapostos a testes empíricos. Neste ensaio, utilizamos alguns exemplos para ilustrar como os procedimentos acadêmicos podem colaborar com a política econômica.
Como revela o caso brasileiro recente, a estratégia usual de quem fracassa na condução da economia não é reconhecer seus próprios erros e procurar corrigir o rumo, mas sim procurar culpados –seja uma crise externa, seja um interesse contrariado. O inferno são os outros.
A controvérsia na academia é de outra natureza. Como evitar que sejamos reféns das nossas crenças, atribuindo os fracassos aos demais? Como identificar eventuais falhas dos nossos argumentos ou das suas implicações empíricas, evitando a armadilha do autoengano? O inferno somos nós.
O método e os procedimentos da ciência procuram garantir critérios para identificar as fragilidades dos argumentos por meio de conjecturas precisas o suficiente para que possam ser rejeitadas pelos dados disponíveis. Procuram também reduzir a possibilidade da estratégia que procura superar o fracasso com uma história oportunista. Argumentos precisos e bases de dados acessíveis permitem o contraditório, a revisão crítica pelos demais acadêmicos.
Como argumentamos adiante, são de pouca valia tanto modelos sem suporte empírico quanto dados sem modelos que permitam identificar a causalidade entre as variáveis.
A economia procura evitar a retórica que promete muito, porém entrega pouco. Esse risco não tem filiação ideológica, contaminando tanto argumentos identificados como à esquerda no debate popular no Brasil, como diversos argumentos desenvolvimentistas, quanto os à direita, como as teses liberais extremas do pensamento austríaco.
A produção acadêmica apenas permite selecionar as conjecturas consistentes com a evidência disponível, assim como delimitar as fragilidades dos argumentos. Dessa análise resultam, frequentemente, diversas opções de políticas públicas, contudo, com implicações distintas sobre a economia e a sociedade. Cabe à política, não à economia, fazer a escolha entre essas opções.
MODELOS
Comecemos com um exemplo. Diversos modelos resultam em uma relação entre a taxa de juros fixada pelo Banco Central e a trajetória futura da taxa de inflação. A estatística permite verificar em que medida o resultado previsto pela teoria –alta do juro levando à queda da inflação– é consistente com os dados observados, dentro de uma margem de erro. Importam aqui dois aspectos: 1) a conjectura teórica pode ser rejeitada pelos dados; e 2) há sempre uma margem de erro, descrita por um intervalo de confiança.
A margem de erro é inevitável por duas razões.
Em primeiro lugar, o argumento científico não captura todos os fatores que afetam a variável analisada. Modelos em economia são, por necessidade, simplificações da realidade, capturando apenas uma parcela dos fatores que afetam as variáveis (no famoso conto de Borges, os sábios tardiamente constatam que os mapas de tamanho real são de pouca utilidade prática). O desafio é demonstrar que, apesar dessas limitações, a conjectura não pode ser rejeitada pelos dados.
Em segundo lugar, pode haver incerteza intrínseca aos fenômenos, não apenas uma medida da nossa ignorância ou de modelos simplificados.
Em ambos os casos, a conjectura deve ser analisada como probabilística. Essa não é uma peculiaridade da economia. O tratamento probabilístico ocorre em ciências como a física e a biologia e pode decorrer da nossa ignorância ou da incerteza intrínseca aos fenômenos. Na economia, houve um estéril debate sobre em que medida a probabilidade deveria estar restrita a fenômenos repetidos, o qual apenas revelou a falta de conhecimento de matemática.
VERACIDADE
A eventual consistência da conjectura com os dados observados, no entanto, não significa que se possa concluir pela veracidade da tese. O resultado pode ser fortuito. Por isso, o jargão usual é afirmar que a conjectura "não foi rejeitada" pelos testes empíricos, e não que ela "foi validada". A "verdade" pode ser defendida na religião ou em ramos da filosofia, não nas ciências.
A controvérsia sobre o que se pode inferir da análise empírica resultou na abordagem pragmática das ciências. Não se pode afirmar a verdade das conjecturas, mas apenas a sua possibilidade, uma vez que não rejeitadas pelos dados disponíveis, podem vir a ser desmentidas por novas evidências. Deve-se manter a húbris sobre controle.
Diversos trabalhos em história da ciência mostram como alguns acadêmicos utilizaram artifícios para evitar reconhecer os equívocos dos seus argumentos. Os procedimentos da ciência, no entanto, permitiram não apenas identificar esses casos; eles também resultaram em notáveis transformações nos últimos 300 anos.
A evidência disponível indica que a renda por habitante no mundo até meados do século 17 não ultrapassava o equivalente a R$ 5 por dia, renda que, nos padrões atuais, define a extrema pobreza. E a expectativa de vida era de cerca de 40 anos de idade.
A pesquisa acadêmica indica dois fatores como os mais prováveis responsáveis por esse resultado: 1) os métodos e procedimentos para a construção de argumentos científicos; e 2) as profundas transformações institucionais ocorridas nos países desenvolvidos a partir do fim do século 17.
CONTRADITÓRIO
O debate público pode levar o acadêmico a perder um pouco do rigor e humildade científicos. Isso apenas reforça a necessidade do contraditório, na contramão dos manifestos indignados que pedem que editores de jornais censurem argumentos.
A crítica é essencial, pois o que podemos concluir, com os dados disponíveis, é um subconjunto pálido do que gostaríamos de saber. A evidência indica que graves desequilíbrios fiscais geram inflação e juros elevados; que controle cambial gera desequilíbrios nas contas externas; que desemprego baixo e inflação alta recomendam uma política monetária mais restritiva; que a ausência de direitos de propriedade prejudica o investimento; que intervenções setoriais discricionárias podem ser contraproducentes.
Por outro lado, não há evidência consolidada sobre quando a política fiscal expansionista colabora com a expansão da economia; o que o Banco Central deve fazer frente a um choque adverso de oferta; ou, ainda, como identificar os projetos que apresentam retorno social maior do que o privado e que, portanto, devem ser subsidiados. E, para a tristeza dos macroeconomistas, seguramente não entendemos os determinantes da taxa de câmbio no curto prazo.
A produção acadêmica apenas permite eliminar as políticas cujos resultados propostos são inconsistentes com a evidência disponível. Usualmente, diversas políticas superam esse filtro, com implicações distintas sobre a economia e a sociedade. Algumas, por exemplo, podem resultar em maior crescimento da produtividade e maior desigualdade de renda, enquanto outras podem proteger os grupos mais vulneráveis à custa de menor crescimento econômico.
A escolha da política a ser adotada requer um juízo de valor sobre as possíveis opções e seus custos e benefícios. E juízo de valor não cabe à economia, mas sim à deliberação da sociedade.
DISPERSÃO
Argumentos sem dados podem ser tão sedutores quanto equivocados. Ilustramos esse ponto com um exemplo conhecido dos economistas. Existe uma imensa dispersão de renda entre os países do mundo. O grupo dos mais ricos tem renda por habitante cerca de 20 vezes maior que o dos mais pobres.
Nos anos 1990, alguns economistas resgataram a conjectura de Schumpeter, devida originalmente a Karl Marx, sobre o papel da concorrência no estímulo à inovação. Nesse argumento, a produtividade decorre das decisões de investimento por parte das empresas, que obtêm lucros extraordinários enquanto a inovação não é copiada pelos demais. A conclusão, portanto, é que quem investe mais em tecnologia torna-se mais desenvolvido. O arcabouço formal é elegante e preciso; a intuição é clara. Mas... A elegante conjectura não recebeu o suporte dos dados. Inovações não explicam a diferença de renda entre os países. A tese foi rejeitada. A vida é dura.
Pode-se procurar defender a conjectura argumentando que é possível importar técnicas de produção desenvolvidas alhures. Se essa importação não está ocorrendo, ou se as empresas que usam as melhores técnicas não são capazes de expulsar as ineficientes do mercado, outra explicação é necessária. Assim evoluem as coisas no mundo acadêmico. Modelos sem suporte empírico morrem e são substituídos.
HUMILDADE
"O que os dados estão de fato dizendo?". Dados não fazem milagres. Na maioria das vezes, apenas nos ajudam a discriminar os diversos argumentos compatíveis com a evidência –mais um motivo, vê-se, para certa dose de humildade. Um exemplo numérico ajuda a ilustrar esse ponto.
Considere uma política pública voluntária de treinamento para trabalhadores que recentemente perderam seus empregos. De cada 100 desempregados, 20 escolhem fazer o curso e, desses, 14 conseguem, um ano depois, empregos melhores do que os que não fizeram o curso. Já do grupo dos 80 que não frequentaram o curso, 40 conseguiram empregos melhores.
Vale a pena gastar tempo e recursos com esse programa? O que dizem os tais dados?
O problema reside na ausência de evidência contrafactual: qual seria o desempenho dos desempregados que não participaram do programa caso eles tivessem na verdade participado? Os desempregados que escolheram fazer o curso provavelmente são diferentes dos demais; afinal, escolheram estudar depois de perder o emprego. Talvez por serem diferentes, e não por causa do curso, têm maior chance de conseguir empregos melhores do que os demais.
Isso significa duas possibilidades extremas: 1) os desempregados que não participaram do curso não se beneficiariam do programa; 2) o programa beneficiaria todos os que escolheram não participar. No meio do caminho: 3) o programa teria impacto semelhante em todos os desempregados.
As três conjecturas são possíveis, mas, na ausência de testes adicionais, os dados não permitem uma resposta precisa.
Sob 1), de 100 desempregados, 14 (grupo tratado, com melhora) + 0% vezes 80 (grupo sem contrafactual)= 14 teriam melhor desempenho se o programa se tornasse obrigatório. Mas sob 2), dos mesmos 100, 14+ 100% vezes 80 = 94 conseguiriam melhores empregos. A conjectura intermediária prevê 14+ 70% vezes 80 (grupo não tratado) = 70 beneficiados pela extensão do programa para todos os desempregados. Os dados têm poder limitado nesse caso.
Incertezas similares valem para outros tipos de estudos empíricos. Sem teoria, os dados dizem pouco. Mas, ao menos, a discussão permite distinguir as razões da divergência, além de propor novos testes para colaborar com a controvérsia. A propósito, a evidência adicional indica que os que escolheram participar do programa são, de fato, diferentes dos demais, e o impacto do programa é menor.
CETICISMO
À guisa de conclusão, vale dizer que, em economia, o santo é realmente de barro, e as incertezas são muitas. O iluminismo relevante é o escocês, dominado pelo ceticismo e o pragmatismo. Não temos acesso à verdade; temos, na melhor das hipóteses, conjecturas que não tenham sido rejeitadas pelos dados (mas que podem vir a sê-lo).
Ciência requer procedimentos formais sobre conjecturas precisas, testes empíricos e discussões detalhadas sobre modelos estatísticos, colaborando com o rigor na análise da evidência e dos argumentos propostos.
Nem todos os caminhos levam a Roma. Por maiores que sejam as suas limitações, argumentos precisamente definidos e testes empíricos que verifiquem a validade das conjecturas são preferíveis a teses de ocasião, desconexas, recheadas de retórica e latinismos, que buscam muitas vezes a simples desqualificação da divergência. A política pública se beneficiaria de maior cuidado e atenção às evidências e aos procedimentos.
CARLOS EDUARDO GONÇALVES, 43, é professor titular da USP e economista do site porque.com.br
MARCOS DE BARROS LISBOA, 51, é doutor em economia pela Universidade da Pensilvânia e presidente do Insper.
ilustríssima
Método, e não retórica, deve reinar na economia
CARLOS EDUARDO GONÇALVES
MARCOS DE BARROS LISBOA
14/02/2016
RESUMO Uma vez que a economia ajuda nas escolhas feitas para a implementação de políticas públicas, cabe a ela usar dos procedimentos da ciência para ajudar a garantir a efetividade das propostas. Método, argumentos precisos e bases de dados acessíveis permitem a revisão crítica de acadêmicos e a verificação.
*
Economia não é literatura, em que boas histórias são suficientes. Ciência requer método: argumentos precisos que possam ser contrapostos a testes empíricos. Neste ensaio, utilizamos alguns exemplos para ilustrar como os procedimentos acadêmicos podem colaborar com a política econômica.
Como revela o caso brasileiro recente, a estratégia usual de quem fracassa na condução da economia não é reconhecer seus próprios erros e procurar corrigir o rumo, mas sim procurar culpados –seja uma crise externa, seja um interesse contrariado. O inferno são os outros.
A controvérsia na academia é de outra natureza. Como evitar que sejamos reféns das nossas crenças, atribuindo os fracassos aos demais? Como identificar eventuais falhas dos nossos argumentos ou das suas implicações empíricas, evitando a armadilha do autoengano? O inferno somos nós.
O método e os procedimentos da ciência procuram garantir critérios para identificar as fragilidades dos argumentos por meio de conjecturas precisas o suficiente para que possam ser rejeitadas pelos dados disponíveis. Procuram também reduzir a possibilidade da estratégia que procura superar o fracasso com uma história oportunista. Argumentos precisos e bases de dados acessíveis permitem o contraditório, a revisão crítica pelos demais acadêmicos.
Como argumentamos adiante, são de pouca valia tanto modelos sem suporte empírico quanto dados sem modelos que permitam identificar a causalidade entre as variáveis.
A economia procura evitar a retórica que promete muito, porém entrega pouco. Esse risco não tem filiação ideológica, contaminando tanto argumentos identificados como à esquerda no debate popular no Brasil, como diversos argumentos desenvolvimentistas, quanto os à direita, como as teses liberais extremas do pensamento austríaco.
A produção acadêmica apenas permite selecionar as conjecturas consistentes com a evidência disponível, assim como delimitar as fragilidades dos argumentos. Dessa análise resultam, frequentemente, diversas opções de políticas públicas, contudo, com implicações distintas sobre a economia e a sociedade. Cabe à política, não à economia, fazer a escolha entre essas opções.
MODELOS
Comecemos com um exemplo. Diversos modelos resultam em uma relação entre a taxa de juros fixada pelo Banco Central e a trajetória futura da taxa de inflação. A estatística permite verificar em que medida o resultado previsto pela teoria –alta do juro levando à queda da inflação– é consistente com os dados observados, dentro de uma margem de erro. Importam aqui dois aspectos: 1) a conjectura teórica pode ser rejeitada pelos dados; e 2) há sempre uma margem de erro, descrita por um intervalo de confiança.
A margem de erro é inevitável por duas razões.
Em primeiro lugar, o argumento científico não captura todos os fatores que afetam a variável analisada. Modelos em economia são, por necessidade, simplificações da realidade, capturando apenas uma parcela dos fatores que afetam as variáveis (no famoso conto de Borges, os sábios tardiamente constatam que os mapas de tamanho real são de pouca utilidade prática). O desafio é demonstrar que, apesar dessas limitações, a conjectura não pode ser rejeitada pelos dados.
Em segundo lugar, pode haver incerteza intrínseca aos fenômenos, não apenas uma medida da nossa ignorância ou de modelos simplificados.
Em ambos os casos, a conjectura deve ser analisada como probabilística. Essa não é uma peculiaridade da economia. O tratamento probabilístico ocorre em ciências como a física e a biologia e pode decorrer da nossa ignorância ou da incerteza intrínseca aos fenômenos. Na economia, houve um estéril debate sobre em que medida a probabilidade deveria estar restrita a fenômenos repetidos, o qual apenas revelou a falta de conhecimento de matemática.
VERACIDADE
A eventual consistência da conjectura com os dados observados, no entanto, não significa que se possa concluir pela veracidade da tese. O resultado pode ser fortuito. Por isso, o jargão usual é afirmar que a conjectura "não foi rejeitada" pelos testes empíricos, e não que ela "foi validada". A "verdade" pode ser defendida na religião ou em ramos da filosofia, não nas ciências.
A controvérsia sobre o que se pode inferir da análise empírica resultou na abordagem pragmática das ciências. Não se pode afirmar a verdade das conjecturas, mas apenas a sua possibilidade, uma vez que não rejeitadas pelos dados disponíveis, podem vir a ser desmentidas por novas evidências. Deve-se manter a húbris sobre controle.
Diversos trabalhos em história da ciência mostram como alguns acadêmicos utilizaram artifícios para evitar reconhecer os equívocos dos seus argumentos. Os procedimentos da ciência, no entanto, permitiram não apenas identificar esses casos; eles também resultaram em notáveis transformações nos últimos 300 anos.
A evidência disponível indica que a renda por habitante no mundo até meados do século 17 não ultrapassava o equivalente a R$ 5 por dia, renda que, nos padrões atuais, define a extrema pobreza. E a expectativa de vida era de cerca de 40 anos de idade.
A pesquisa acadêmica indica dois fatores como os mais prováveis responsáveis por esse resultado: 1) os métodos e procedimentos para a construção de argumentos científicos; e 2) as profundas transformações institucionais ocorridas nos países desenvolvidos a partir do fim do século 17.
CONTRADITÓRIO
O debate público pode levar o acadêmico a perder um pouco do rigor e humildade científicos. Isso apenas reforça a necessidade do contraditório, na contramão dos manifestos indignados que pedem que editores de jornais censurem argumentos.
A crítica é essencial, pois o que podemos concluir, com os dados disponíveis, é um subconjunto pálido do que gostaríamos de saber. A evidência indica que graves desequilíbrios fiscais geram inflação e juros elevados; que controle cambial gera desequilíbrios nas contas externas; que desemprego baixo e inflação alta recomendam uma política monetária mais restritiva; que a ausência de direitos de propriedade prejudica o investimento; que intervenções setoriais discricionárias podem ser contraproducentes.
Por outro lado, não há evidência consolidada sobre quando a política fiscal expansionista colabora com a expansão da economia; o que o Banco Central deve fazer frente a um choque adverso de oferta; ou, ainda, como identificar os projetos que apresentam retorno social maior do que o privado e que, portanto, devem ser subsidiados. E, para a tristeza dos macroeconomistas, seguramente não entendemos os determinantes da taxa de câmbio no curto prazo.
A produção acadêmica apenas permite eliminar as políticas cujos resultados propostos são inconsistentes com a evidência disponível. Usualmente, diversas políticas superam esse filtro, com implicações distintas sobre a economia e a sociedade. Algumas, por exemplo, podem resultar em maior crescimento da produtividade e maior desigualdade de renda, enquanto outras podem proteger os grupos mais vulneráveis à custa de menor crescimento econômico.
A escolha da política a ser adotada requer um juízo de valor sobre as possíveis opções e seus custos e benefícios. E juízo de valor não cabe à economia, mas sim à deliberação da sociedade.
DISPERSÃO
Argumentos sem dados podem ser tão sedutores quanto equivocados. Ilustramos esse ponto com um exemplo conhecido dos economistas. Existe uma imensa dispersão de renda entre os países do mundo. O grupo dos mais ricos tem renda por habitante cerca de 20 vezes maior que o dos mais pobres.
Nos anos 1990, alguns economistas resgataram a conjectura de Schumpeter, devida originalmente a Karl Marx, sobre o papel da concorrência no estímulo à inovação. Nesse argumento, a produtividade decorre das decisões de investimento por parte das empresas, que obtêm lucros extraordinários enquanto a inovação não é copiada pelos demais. A conclusão, portanto, é que quem investe mais em tecnologia torna-se mais desenvolvido. O arcabouço formal é elegante e preciso; a intuição é clara. Mas... A elegante conjectura não recebeu o suporte dos dados. Inovações não explicam a diferença de renda entre os países. A tese foi rejeitada. A vida é dura.
Pode-se procurar defender a conjectura argumentando que é possível importar técnicas de produção desenvolvidas alhures. Se essa importação não está ocorrendo, ou se as empresas que usam as melhores técnicas não são capazes de expulsar as ineficientes do mercado, outra explicação é necessária. Assim evoluem as coisas no mundo acadêmico. Modelos sem suporte empírico morrem e são substituídos.
HUMILDADE
"O que os dados estão de fato dizendo?". Dados não fazem milagres. Na maioria das vezes, apenas nos ajudam a discriminar os diversos argumentos compatíveis com a evidência –mais um motivo, vê-se, para certa dose de humildade. Um exemplo numérico ajuda a ilustrar esse ponto.
Considere uma política pública voluntária de treinamento para trabalhadores que recentemente perderam seus empregos. De cada 100 desempregados, 20 escolhem fazer o curso e, desses, 14 conseguem, um ano depois, empregos melhores do que os que não fizeram o curso. Já do grupo dos 80 que não frequentaram o curso, 40 conseguiram empregos melhores.
Vale a pena gastar tempo e recursos com esse programa? O que dizem os tais dados?
O problema reside na ausência de evidência contrafactual: qual seria o desempenho dos desempregados que não participaram do programa caso eles tivessem na verdade participado? Os desempregados que escolheram fazer o curso provavelmente são diferentes dos demais; afinal, escolheram estudar depois de perder o emprego. Talvez por serem diferentes, e não por causa do curso, têm maior chance de conseguir empregos melhores do que os demais.
Isso significa duas possibilidades extremas: 1) os desempregados que não participaram do curso não se beneficiariam do programa; 2) o programa beneficiaria todos os que escolheram não participar. No meio do caminho: 3) o programa teria impacto semelhante em todos os desempregados.
As três conjecturas são possíveis, mas, na ausência de testes adicionais, os dados não permitem uma resposta precisa.
Sob 1), de 100 desempregados, 14 (grupo tratado, com melhora) + 0% vezes 80 (grupo sem contrafactual)= 14 teriam melhor desempenho se o programa se tornasse obrigatório. Mas sob 2), dos mesmos 100, 14+ 100% vezes 80 = 94 conseguiriam melhores empregos. A conjectura intermediária prevê 14+ 70% vezes 80 (grupo não tratado) = 70 beneficiados pela extensão do programa para todos os desempregados. Os dados têm poder limitado nesse caso.
Incertezas similares valem para outros tipos de estudos empíricos. Sem teoria, os dados dizem pouco. Mas, ao menos, a discussão permite distinguir as razões da divergência, além de propor novos testes para colaborar com a controvérsia. A propósito, a evidência adicional indica que os que escolheram participar do programa são, de fato, diferentes dos demais, e o impacto do programa é menor.
CETICISMO
À guisa de conclusão, vale dizer que, em economia, o santo é realmente de barro, e as incertezas são muitas. O iluminismo relevante é o escocês, dominado pelo ceticismo e o pragmatismo. Não temos acesso à verdade; temos, na melhor das hipóteses, conjecturas que não tenham sido rejeitadas pelos dados (mas que podem vir a sê-lo).
Ciência requer procedimentos formais sobre conjecturas precisas, testes empíricos e discussões detalhadas sobre modelos estatísticos, colaborando com o rigor na análise da evidência e dos argumentos propostos.
Nem todos os caminhos levam a Roma. Por maiores que sejam as suas limitações, argumentos precisamente definidos e testes empíricos que verifiquem a validade das conjecturas são preferíveis a teses de ocasião, desconexas, recheadas de retórica e latinismos, que buscam muitas vezes a simples desqualificação da divergência. A política pública se beneficiaria de maior cuidado e atenção às evidências e aos procedimentos.
CARLOS EDUARDO GONÇALVES, 43, é professor titular da USP e economista do site porque.com.br
MARCOS DE BARROS LISBOA, 51, é doutor em economia pela Universidade da Pensilvânia e presidente do Insper.
Slides da aula de 17-19 de fevereiro
Olá pessoal!
No link abaixo está a aula de hoje (16-17 de fevereiro de 2015), para quem quiser fazer o download. Está salvo num arquivo eletrônico seguro -- se aparecer uma mensagem de erro, por favor, apertem continuar. Podem confiar!
https://files.numec.prp.usp.br/data/public/c21f3d
Por favor, avisem-me por email: japeschanski@casperlibero.edu.br , se estiverem com problema para ver esse ou outro documento colocado no blog.
A aula de hoje é uma breve apresentação do professor e da disciplina. Bem-vindos a um novo olhar do mundo!
Até mais,
João Alexandre
Leitura sugerida para a próxima aula
O texto aqui é apenas sugerido, mas espero que se interessem. Contribui para trabalharmos nosso novo olhar analítico.
Para sua diversão, um vídeo realizado por estudantes meus de RTVI no ano passado, baseado num artigo do mesmo autor, o Luiz Carlos Bresser-Pereira.
Para sua diversão, um vídeo realizado por estudantes meus de RTVI no ano passado, baseado num artigo do mesmo autor, o Luiz Carlos Bresser-Pereira.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Plano de aula do primeiro semestre e cronograma anual
Bem-vindas e bem-vindos ao blog da disciplina de Ciência Política para o 3o ano de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Aqui, todo o material da disciplina será postado, com antecedência suficiente para que possam preparar-se. Isso inclui: leituras, slides de aula e outras mensagens, que -- espero -- as/os motivarão a mergulhar na compreensão aprofundada dos dilemas da vida social.
Todo o material estará disponível no meu servidor, numa plataforma chamada NeuroMat/Pydio. Podem confiar, por mais que, em alguns navegadores, possam eventualmente surgir mensagens de aviso de segurança.
Aqui vai o link para o plano de aula do primeiro semestre. Leiam atentamente esse documento, que resume o compromisso que vocês e eu estamos estabelecendo para o desenrolar da disciplina.
Algo que não coloquei no plano de aula, mas que fica registrado aqui: não respondo Inbox no Facebook sobre dúvidas em relação à aula, provas e afins.
Aqui vai o link para o cronograma anual da disciplina, uma exigência da Coordenadoria de Cultura Geral, que decidi tornar pública.
Bom ano para nós!
Todo o material estará disponível no meu servidor, numa plataforma chamada NeuroMat/Pydio. Podem confiar, por mais que, em alguns navegadores, possam eventualmente surgir mensagens de aviso de segurança.
Aqui vai o link para o plano de aula do primeiro semestre. Leiam atentamente esse documento, que resume o compromisso que vocês e eu estamos estabelecendo para o desenrolar da disciplina.
Algo que não coloquei no plano de aula, mas que fica registrado aqui: não respondo Inbox no Facebook sobre dúvidas em relação à aula, provas e afins.
Aqui vai o link para o cronograma anual da disciplina, uma exigência da Coordenadoria de Cultura Geral, que decidi tornar pública.
Bom ano para nós!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Subs no segundo horário
Pessoal, todas as subs de JO serão no segundo horário, nos dias respectivos. Vocês são obrigados a realizar essa avaliação no período em que estão matriculados.
No noturno, as subs do Luiz ocorrerão no primeiro horário.
Para quem for fazer a sub do segundo bimestre: caem todos os textos obrigatórios, listados no Plano de Aula, menos os das aulas sobre Política Cultural (aulas 6 e 7). Para quem tiver dificuldade em achar os textos das aulas 4 e 5, seguem abaixo:
O'Donnell: http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/65/20080624_democracia_delegativa.pdf
Avritzer: http://www.plataformademocratica.org/publicacoes/12479_cached.pdf
No noturno, as subs do Luiz ocorrerão no primeiro horário.
Para quem for fazer a sub do segundo bimestre: caem todos os textos obrigatórios, listados no Plano de Aula, menos os das aulas sobre Política Cultural (aulas 6 e 7). Para quem tiver dificuldade em achar os textos das aulas 4 e 5, seguem abaixo:
O'Donnell: http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/65/20080624_democracia_delegativa.pdf
Avritzer: http://www.plataformademocratica.org/publicacoes/12479_cached.pdf
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Exame final
Há pelo menos duas motivações relacionadas ao exame final. A primeira é obviamente dar uma oportunidade de recuperação aos/às estudantes que não atingiram sete de média no agregado dos quatro bimestres. Pelo que entendo, a nota que tirarem no exame final é somada à do agregado dos quatro bimestres e esta soma é então dividida por dois. Se o resultado for igual ou superior a seis, vocês são aprovados/as na disciplina. Para maiores informações, verifiquem o “Manual do Aluno”, disponível no site da faculdade.
A segunda motivação diz respeito à oportunidade que lhes é oferecida de aprofundar o conhecimento específico dessa matéria, num período especial, em que colocam novo alento e têm tempo para canalizar mais esforços no conteúdo abordado. Para o exame final, a expectativa é então que consigam dedicar-se e a expectativa dessa dedicação é base do que será cobrado.
O exame final da disciplina de Ciência Política no curso de Jornalismo cobre o material visto durante o ano letivo de 2015. Haverá: quatro perguntas teóricas, todas relacionadas aos textos clássicos vistos em aula e listados abaixo; duas análises de dados relacionadas à política -- de acordo com o nível do material abordado no segundo bimestre e seguindo a linha de preparação para o ENADE, quando análises de dados são cobradas --; e quatro questões sobre artigos recentes de política na mídia.
Os textos clássicos na prova são:
-- Marx, Karl; Engels, Friedrich. "Burgueses e proletários”, Manifesto Comunista (Boitempo, 1998), p. 41-59.
-- Schumpeter, Joseph. Capitalismo, socialismo e democracia. Editora Fundo de Cultura, 1961, cap. 21 e 22. (trechos vistos em aula)
-- Beauvoir, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos, trad. Sérgio Milliet, Difel, 1970, pp. 7-23.
-- Weber, Max. "A política como vocação", em HH Gerth e CW Mills (eds.), Ensaios de Sociologia, Zahar, s/d.
Os textos podem ser recuperados a partir do blog do curso: http://cienciapoliticaparajornalistas.blogspot.com.br/ . Se algum material estiver indisponível, avise-me por favor o quanto antes; é responsabilidade do/a estudante conseguir acesso aos textos e avisar-me se não estiverem mais disponíveis no blog.
Os textos recentes de política na mídia são:
-- Fausto, Sérgio. “Crise do PT dá oportunidade ao PSDB.” Folha de S. Paulo. Disponível em: https://goo.gl/Eog6WK
-- Braga, Ruy. "Contornos do pós-lulismo." CULT. Disponível em: https://goo.gl/Z9xt7c
-- Bucci, Eugênio. "O que dizer agora?" Estado de S.Paulo. Disponível em: https://goo.gl/mhJ6MM
-- Coelho, Roseli Martins. "PSDB, assim como no passado." Le Monde Diplomatique Brasil. Disponível em: https://goo.gl/aW36z5
A princípio todas as questões serão de múltipla escolha. Cada questão terá o mesmo valor: um ponto. A prova será individual e sem consulta, no dia previsto para o exame. Vou avaliar a possibilidade de realizar as provas no mesmo horário de manhã para as duas turmas da manhã e no mesmo horário à noite para as duas turmas da noite (a confirmar).
A melhor estratégia de estudo é fazer bons fichamentos dos argumentos principais dos autores. Recomendo a formação de grupos de estudo. As questões seguirão o estilo com o qual trabalhamos no decorrer do ano.
A segunda motivação diz respeito à oportunidade que lhes é oferecida de aprofundar o conhecimento específico dessa matéria, num período especial, em que colocam novo alento e têm tempo para canalizar mais esforços no conteúdo abordado. Para o exame final, a expectativa é então que consigam dedicar-se e a expectativa dessa dedicação é base do que será cobrado.
O exame final da disciplina de Ciência Política no curso de Jornalismo cobre o material visto durante o ano letivo de 2015. Haverá: quatro perguntas teóricas, todas relacionadas aos textos clássicos vistos em aula e listados abaixo; duas análises de dados relacionadas à política -- de acordo com o nível do material abordado no segundo bimestre e seguindo a linha de preparação para o ENADE, quando análises de dados são cobradas --; e quatro questões sobre artigos recentes de política na mídia.
Os textos clássicos na prova são:
-- Marx, Karl; Engels, Friedrich. "Burgueses e proletários”, Manifesto Comunista (Boitempo, 1998), p. 41-59.
-- Schumpeter, Joseph. Capitalismo, socialismo e democracia. Editora Fundo de Cultura, 1961, cap. 21 e 22. (trechos vistos em aula)
-- Beauvoir, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos, trad. Sérgio Milliet, Difel, 1970, pp. 7-23.
-- Weber, Max. "A política como vocação", em HH Gerth e CW Mills (eds.), Ensaios de Sociologia, Zahar, s/d.
Os textos podem ser recuperados a partir do blog do curso: http://cienciapoliticaparajornalistas.blogspot.com.br/ . Se algum material estiver indisponível, avise-me por favor o quanto antes; é responsabilidade do/a estudante conseguir acesso aos textos e avisar-me se não estiverem mais disponíveis no blog.
Os textos recentes de política na mídia são:
-- Fausto, Sérgio. “Crise do PT dá oportunidade ao PSDB.” Folha de S. Paulo. Disponível em: https://goo.gl/Eog6WK
-- Braga, Ruy. "Contornos do pós-lulismo." CULT. Disponível em: https://goo.gl/Z9xt7c
-- Bucci, Eugênio. "O que dizer agora?" Estado de S.Paulo. Disponível em: https://goo.gl/mhJ6MM
-- Coelho, Roseli Martins. "PSDB, assim como no passado." Le Monde Diplomatique Brasil. Disponível em: https://goo.gl/aW36z5
A princípio todas as questões serão de múltipla escolha. Cada questão terá o mesmo valor: um ponto. A prova será individual e sem consulta, no dia previsto para o exame. Vou avaliar a possibilidade de realizar as provas no mesmo horário de manhã para as duas turmas da manhã e no mesmo horário à noite para as duas turmas da noite (a confirmar).
A melhor estratégia de estudo é fazer bons fichamentos dos argumentos principais dos autores. Recomendo a formação de grupos de estudo. As questões seguirão o estilo com o qual trabalhamos no decorrer do ano.
domingo, 15 de novembro de 2015
Notas, sem as faltas
Olá! Postei as notas no sistema; faltam apenas as faltas. Bom fim de semestre a todas e todos!
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Texto do Bobbio
Para quem está com dificuldade de acesso ao texto do Bobbio, segue outro link aqui. Avisem se tiverem problemas com outros textos.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Aula 3: Determinantes do voto
Seguem aqui os slides da aula desta semana. Na próxima, teremos a prova. Bons estudos!
domingo, 1 de novembro de 2015
Aula 2: Estado e poder: visão contemporânea e link de texto de André Singer
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Aula 1: Estado e poder: visão clássica
Aqui estão os slides da aula da semana passada, onde avaliamos o bimestre passado e iniciamos nossa incursão pela noção clássica do Estado, a partir do pensamento de Max Weber. Continuaremos isso esta semana.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Notas do terceiro bimestre
Oi! Vou postar as notas do terceiro bimestre hoje. Uma parte já foi, a outra será à noite.
Parabéns à Paula e à Chames, os dois únicos 10 nas quatro turmas.
Desculpem a confusão em relação aos eventos. Recebi orientações divergentes.
Por conta dos eventos, não pude mostrar as provas em sala. Quem tiver dúvidas em relação a sua nota, por favor, procure-me. Estarei na sala dos professores, no dia 13, das 17h às 18h e das 20h40 às 21h10, e no dia 14, das 9:40 às 10:20.
Na semana que vem, começamos nossa aula sobre Estado e poder. Venham com o Weber lido!
Bom feriado!
Parabéns à Paula e à Chames, os dois únicos 10 nas quatro turmas.
Desculpem a confusão em relação aos eventos. Recebi orientações divergentes.
Por conta dos eventos, não pude mostrar as provas em sala. Quem tiver dúvidas em relação a sua nota, por favor, procure-me. Estarei na sala dos professores, no dia 13, das 17h às 18h e das 20h40 às 21h10, e no dia 14, das 9:40 às 10:20.
Na semana que vem, começamos nossa aula sobre Estado e poder. Venham com o Weber lido!
Bom feriado!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Dias 8 e 9: Mudanças climáticas e redução de riscos de desastres no Brasil: o papel e os desafios da comunicação
As turmas do 3o ano serão liberadas para participar do evento "Mudanças climáticas e redução de riscos de desastres no Brasil: o papel e os desafios da comunicação", que ocorre de 8 a 9 de outubro na faculdade, esta semana. A presença no evento será cobrada. Mais informações aqui e abaixo.
Mudanças climáticas e redução de riscos de desastres no Brasil: o papel e os desafios da comunicação
Informações gerais
8/10 - Teatro Cásper Líbero / 9/10 – Sala Aloysio Biondi
Data
8 e 9 de outubro de 2015
Horários
Conforme a programação
Descrição
A Cásper Líbero recebe autoridades, especialistas e profissionais para o evento “Mudanças climáticas e redução de riscos de desastres no Brasil: o papel e os desafios da comunicação”. O encontro é uma oportunidade para os profissionais de comunicação (jornalistas, assessores de imprensa e comunicação, relações públicas, publicitários, documentaristas) fomentarem a troca de informações e boas práticas no campo da comunicação de riscos.
Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNISDR), entre 1992 e 2012, desastres como enchentes, inundações, secas, terremotos e tempestades afetaram cerca de 4,5 bilhões de pessoas, provocando 1,3 milhão de mortes e prejuízos de 2 trilhões de dólares. Esses desastres, na sua maioria associados às mudanças climáticas, estão se tornando cada vez mais intensos e frequentes. Por isso, falar da redução de risco de desastres (RRD) é muito mais do que um conceito acadêmico ou uma terminologia técnica, é falar sobre os numerosos esforços para preparar as sociedades no enfrentamento desses riscos.
Confira a programação:
8/10 (Quinta)
19h Mesa de Abertura
Carlos Costa (Diretor da Faculdade Cásper Líbero)
Gilberto Occhi (Ministro da Integração Nacional)
José Roberto Rodrigues (Secretário Chefe da Casa Militar e Coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo)
20h30 Conferência de Abertura
Mudanças Climáticas e Redução de Riscos de Desastres na América Latina, com Osvaldo Luiz Leal de Moraes - Diretor do Cemaden
9/10 (Sexta, manhã)
8h30 Mesa-redonda - Redução de Riscos de Desastres na América Latina sob a luz do Marco de Ação de Sendai
Adriano Pereira Júnior (Secretário Nacional da Defesa Civil)
Marcos Lopes (Assessor de Programas de Cooperação Internacional)
José Roberto Rodrigues de Oliveira (Secretário Chefe da Casa Militar e Coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo)
Moderador: Pedro Ortiz (Faculdade Cásper Líbero)
10h30 Mesa-redonda - Redução de Riscos de Desastres: o papel da ciência e da academia
Fernando José Gomes Landgraf (Diretor Presidente IPT)
Cláudio José Ferreira (Coordenador do Grupo de Pesquisa "Gestão de Riscos e Desastres relacionados a Eventos Naturais" do IG)
Edesio Jungles (Diretor Ceped/UFSC)
Hugo Yoshizki (Diretor Ceped/USP)
Moderador: Roberto Chiachiri (Faculdade Cásper Líbero)
9/10 (Sexta, tarde)
14h Mesa-redonda – Da cobertura dos riscos à cobertura dos desastres: da pauta visível à invisível
Cintia Pereira Torres (Comunicação da Defesa Civil de São Paulo)
Maria Rosário Orquiza (Assessora de Comunicação do Cemaden)
João Garcia (Assessor de Comunicação IPT)
Franz Vacek (Superintendente de Jornalismo e Esporte da RedeTV!)
Rodolfo Gamberini (TV Gazeta)
Moderador: Anderson Scardoelli (Comunique-se)
16h às 19h Workshop
RRD e mudanças climáticas: onde estão as pautas?
Da cobertura dos riscos à cobertura dos desastres - da pauta visível à invisível
Sarah Cartagena (Pesquisadora e Consultora/Santa Catarina)
Rita de Cássia Dutra (Consultora Lutheran World Relief e USAID)
Conhecimento e ciência como pauta
Ricardo Alexino (Professor da ECA/USP)
Cilene Victor (Faculdade Cásper Líbero)
Saúde e qualidade de vida: indicadores invisíveis
Paola Liguori (Relações Institucionais / Saúde e Sustentabilidade)
Helena Jacob (Faculdade Cásper Líbero)
Público
Jornalistas, assessores de imprensa e comunicação, relações públicas, publicitários, documentaristas, especialistas em risco, agentes e profissionais de defesa e proteção civil, formuladores de políticas públicas em RRD e mudanças climáticas, representantes do setor privado, pesquisadores e acadêmicos.
Inscrições: é necessário que você envie, previamente, um e-mail com seu nome, dia e horário de interesse, RG e instituição acadêmica a que está vinculado para eventos@fcl.com.br. Feito isto, aguarde a confirmação de sua inscrição.
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